A face da violência na escola ~ Identidade 85 ::

sexta-feira, setembro 11, 2009

A face da violência na escola


Adriano Duarte
Humberto Trezzi

Anos de descontrole, indisciplina e desrespeito dos alunos para com os professores que atuam nas escolas gaúchas produziram ontem um cadáver.

O professor Ozório Alceu Felini, 45 anos, morreu em função de facadas desferidas oito dias antes por um aluno da escola onde atuava, em Vacaria. A morte reavivou uma dúvida que está na cabeça de cada brasileiro que atua com educação: até onde irá a violência nas escolas? Sim, porque a tragédia de Vacaria está longe de ser um episódio isolado.


O educador tentava apartar uma briga entre duas alunas quando foi esfaqueado supostamente por um rapaz de 18 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio. O incidente aconteceu dia 17, na Escola Técnica Estadual Bernardina Rodrigues Padilha (que funciona em prédio de antigo Ciep). Felini se recuperou parcialmente dos ferimentos e chegou até a falar sobre a agressão sofrida.

- Não entendi por que o rapaz fez aquilo. A maioria dos estudantes dessa escola é formada de jovens bons, de famílias trabalhadoras. Apenas um pequeno percentual arruma problemas - declarou na ocasião, em entrevista ao jornal Pioneiro, de Caxias do Sul.

Na terça-feira passada, Felini sofreu uma recaída, com infecção. Ontem, ele não resistiu. A morte comoveu o Estado. Os mais de mil professores de Vacaria ameaçam suspender as aulas esta semana. Na escola onde aconteceu o crime, os funcionários decidiram fechar as portas até amanhã.

Nem a prisão do suposto agressor de Felini - que nega participação no crime - acalmou os colegas do educador assassinado. Eles pretendem fazer uma caminhada pelas ruas de Vacaria e parar em frente a órgãos de segurança do município, como Polícia Civil, e do Fórum. Segundo a professora Cassiane Vieira, 29 anos, o protesto espera a adesão das outras 10 escolas estaduais da cidade.

Nos últimos cinco anos, pelo menos cinco professores gaúchos sofreram fraturas ou ferimentos graves provocados por alunos. Foram feridos ao apartar brigas - como Felini - ou em represália dos estudantes as tentativas de botar ordem na aula.

O levantamento deixa de fora a violência entre os estudantes, de tão cotidiana que é. Ela deixou, no ano passado, praticamente cega de um olho uma aluna da mesma escola onde o professor Felini foi ferido de morte.

Indisciplina é uma das maiores preocupações, segundo pesquisa

Uma pesquisa divulgada este ano pelo Ministério da Educação (MEC) relata que os problemas disciplinares apresentados pelos alunos são o segundo pior dilema diagnosticado pelas escolas de Ensino Fundamental. Perde somente para a insuficiência de recursos financeiros. Nada menos do que 64% dos diretores de colégios estaduais pesquisados pelo ministério, 53% dos municipais e 46% dos privados relataram que a indisciplina é uma das suas maiores fontes de preocupação.

Especializada em violência, a psicóloga e psicanalista gaúcha Mari Gleide Maccari Soares diz que o grande fantasma nos colégios até uma década atrás era a droga. Agora é a violência, muitas vezes causada pelo uso de entorpecentes.

A caminho do velório de Felini, a presidente do Cpers-Sindicato (que congrega professores estaduais), Simone Goldschmidt, reconheceu a Zero Hora que inexistem no Estado levantamentos sobre violência contra trabalhadores das escolas.

- É hora de fazermos isso. E também de o país ter políticas públicas de investimento nas pessoas vulneráveis ao crime, sejam elas vítimas ou autores em potencial. Temos de reavivar hábitos e valores saudáveis, do contrário teremos mais episódios lamentáveis como esse de Vacaria, que estão se tornando banais.

Mari Gleide e Simone comungam numa certeza: a autoridade do professor tem de ser restaurada na escola. Mais com diálogo do que com repressão, mas o sagrado direito de comandar a aula deve voltar a imperar. Resta saber como fazer isso antes que novas mortes voltem a manchar a já violenta rotina das escolas gaúchas.

Fonte: Jornal Zero Hora (zerohora.clicrbs.com.br/zerohora). Porto Alegre, 27 de março de 2008.

Olá pessoal! 

O problema da violência no ambiente escolar, realmente esta tomando rumos que até pouco tempo atrás, não nos parecia possível que chegasse a tamanho nível de brutalidade. De uma problemática de discussões, indisciplinas e desrespeito à autoridade do professor, chegamos lentamente a problemas mais graves como este caso de homicídio.

Sei que a notícia é realmente muito triste, mas devemos entrar em contato com todos estes exemplos, para que possamos tentar fazer o melhor em nossa valorosa profissão de educador, tentando contribuir da melhor maneira para que esta situação tenha um fim e a educação em sala de aula tenha um futuro melhor.

Data original da postagem no blog: 27/03/2008

3 comentários:

  1. Realmente é complexo o entendimento do mundo em que vivemos, inda mais quando adentramos os recintos escolares. Como compreender a violência que ocorre nas escolas? Será que isso é culpa dos pais que não "educam" seus filhos ou que por seus problemas familiares influenciam nas persepções de mundo das crianças, adolescentes e futuros jovens e na sua formação pessoal? Não é um objeto de estudo da História e nem pretenção sua fazer psicologia dos alunos, mas se torna importante sabermos o que acontece com o nosso futuro alunado, indo mais no caso de uma formação licenciada. Afinal teremos que "enfrentar" tais problemas e precisamos estar pelo menos atentos ao que poderemos defrontar em nossa vida de docentes. Achei interessante esse levantamento de questão e a notícia que o Mathiel colocou, por isso propus uma enquete, espero que participem, pois acredito que será útil para buscar algumas pssíveis soluções.

    ResponderExcluir
  2. Realmente,percebo do porque ea violência vem aumentando no ambiente escolar.Devido a cumplicidade das autoridades incumbidas de proteger a figura da criança e do adolescente fazendo com que a maioria das vezes estes alunos sejam alvos de acuzações levianas e sordidas.Tudo para proteger a imagem da administração pública e do bom professor,onde ele manda e desmanda.Daí vem o perigo a criança fala,tenta falar,mas o que fazem distorcem,mentem inventam historias e jogam a culpa para uma familia desestruturada e uma mãe desequilibrada.Bem posso dizer que depois da professora e mais as autoridades em 5 anos de desgraça na minha vida e de meus filhos,venho aqui discordar de tudo que falam.Pois não existe esse ou aquele culpado,mas sim existem seres humanos com indoles propensas para o mal,e mais o pior ao meu ver pessoas interessadas esclusivamente em proteger seus interesses de ordem pessoal ,no caso de meu filho o poder público.Tentei enviar meus relatos mas o espaço é pequeno estarei colocando minhas gravações onde meu filho de 6 anos sofreu assédio moral pela autoridade máxima que é a professora quando tinha 6 anos e diziam que ele mentia e so ao gravar confirmei,mas até aí ele teve todos os sintomas que a senhora descrevera,febre,vomito e diarréia. pois ele a pode claro as crianças é que são problemáticas, com familia desestruturda,sera que elas possuem uma familia perfeita ou sera que estão contente com o salário,não poderia ser o inverso também,e das autoridades coniventes,seriam eles as pessoas certtas para ditarem as regras na vida dos outros,sendo que a cada dia vemos os variados maus exemplos dentro do nossos 3 poderes legislativo, judiciário e executivo.Quem são os culpados por tanta corrupção e mal exemplo de conduta etica.E pior em quanto a casa não cai eles julgam sem ter moral.Muito obrigado por trem o direito de fazerem parte daqueles que se acham donos da verdade.

    ResponderExcluir
  3. Muito bem priscila, você chama a atenção pra uma realidade das chamadas "nações democráticas", que é das figuras que compõe a hierarquia social, ou seja, quêm possue o poder de mandar e desmandar: os governantes e neste casos os professores e corpus escolar de maneira geral. Como você bem disse, é recorrente colocar nas costas da família e do próprios alunos a culpa de suas ações, ou reações, eximindo-se de culpas que em muitos casos são deles mesmos.


    Vemos que nossa sociedade é bastante complexa para criarmos respostas fáceis, e que é preciso que professores e escola despertem para a necessidade de serem sensíveis aos multiplos casos, procurando, antes de botar a culpa em alunos ou famíliares de alunos, e consequentemente em suas condições sociais, refletir sobre suas próprias ações também.


    No texto de Adriano Duarte e Humberto Trezzi, divulgados pelo amigo Mathiel, o que se coloca primeiramente em foco é a ação dos alunos. E por se tratar de uma notícia o que se pode ver é, sobretudo, a narração do ocorrido, e não uma análise profunda dos dois lados.


    Na sequência os autores falam a respeito de uma pesquisa do MEC, onde este relata que "os problemas disciplinares apresentados pelos alunos são o segundo pior dilema diagnosticado pelas escolas de Ensino Fundamental". O primeiro é evidentemente o de insuficiência de recursos na educação pública.


    Por isso, acho muito pertinente suas acusações e volto a dizer que é extremamente importante uma conscientização no sentido de se analisar "os dois lados da moeda", não se retendo só a "coroa", mas levando em conta também a "cara". Ou seja a multiplicidade de questões que devem ser levadas em conta na análise do ambiente escolar.


    Para dar um exemplo, mas sem estar diretamente ligado ao caso, terminei recentemente uma pesquisa sobre o "imaginário indígena dos alunos" numa escola de Dourados-MS. E constatei que na criação de visões preconceituosas dos alunos sobre os indígenas contribuem uma gama ampla de fatores, e que suas idéias não "brotam" deles mesmos ou do acaso.


    Fica da minha parte uma dica prática, que aliás você disse que já está fazendo, e serve para todo: não acreditem em tudo e nas versões apresentadas por professores e direção da escola. Respeito é um fator primordial nas relações humanas, mas sempre duvide!

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Digite e tecle Enter para buscar!