Ser premiado ou não? Eis a questão ~ Identidade 85 ::
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segunda-feira, maio 21, 2012

Ser premiado ou não? Eis a questão

 Recorte do logo usado pelas "Olimpíadas de História" da Unicamp

Por José A. Fernandes

As vezes eu me faço a pergunta: um cientista humano perde seu valor enquanto tal se estiver sujeito à algum regime de premiação? Com dificuldades percebo que eu não tenho uma resposta. Mas, pelo menos posso lançar algumas dúvidas, que poderão ser respondidas pelos caros leitores em suas (nem sempre) confortáveis poltronas.


A primeira questão é justamente a que foi lançada no início: será que os cientístas sociais (historiadores, geografos, filosofos, sociólogos, etc.) deixam de ser "humanos" ao receberem algum prêmio por seu empenho e dedicação? Embora não de forma definitiva, minha resposta mais provavel no momento seria não

Por que não? Acredito que todas as demais áreas ditas científicas (não querendo entrar em debates sobre o conceito de "cientifico" das "ciências"), especialmente as Ciências Exatas, têm seus mecanismos de premiação por grandes ideias, inovações que supostamente trazem benefícios humanitários ou mesmo promovem invenções fabulosas e revolucionárias. Muitas delas realmente dignas de Prêmios Nobel, Prêmios José Reis de Divulgação Científica e diversos prêmios distribuídos ao longo do mundo com o sobrenome "Einstein", outras ideias e invenções nem tão dignas assim. 

O certo é que não temos no Brasil, com raras exceções, "grandes prêmios" de História, Geografia, Sociologia, etc.. Quando disse raras exceções me referia a algumas medalhas, como a "Centenário de David Livingstone" e a "Geográfica Cullum" ambas dadas pela American Geographical Society. De resto temos algumas boas iniciativas, embora tímidas à meu ver, surgindo com orgãos de fomento brasileiros, como o "Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero", do CNPq, e o "Prêmio Capes de Teses" da CAPES. Ah, outra iniciativa, em nível escolar, que merece destaque é a "Olimpíada Nacional de História", promovida anualmente pela Unicamp.

Será que  temos mesmo que nos engessar em romantismos enquanto as demais áreas ganham sempre mais espaço e dinheiro? Enquanto os seus referentes profissionais ganham astronomicamente mais. Enquanto professores perdem a cabeça em reuniões intermináveis... e aulas por vezes torturantes... ops! Isso é assunto para outro artigo. Muitos vão dizer que esse é o diferencial das Humanas, essa humildade e esse "voto monástico", mas será?

Claro que a questão principal não é dinheiro. Claro também como, já disse, não tenho a resposta definitiva. Mas, para mim, o certo é que perdemos algo enquanto ficamos achando que é pecado premiar um Cientista Social que, às custas de noites mal dormidas e desgastes físicos e mentais, conseguiu explicar simples e claramente como funcionam os "mecanismos" que são articulados por "peças" que dão força motora à determinados tipos de sociedade e "máquinas" sociais. Um nobre pesquisador, que vale tanto quanto qualquer outro, que mereceu ganhar um reconhecimento por ter mostrado que todos somos humanos e que, sendo assim, "parafusos" gastos e mal cuidados podem comprometer as estruturas, sejam elas super ou infra. Não acham?

ATUALIZAÇÕES:

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1 comentários:

  1. Suas observações são pertinentes, contudo estão presas ao recebimento e ao depois do recebimento do prêmio. Está faltando o antes da premiação, falta considerar o processo de indicação, seleção e escolha do candidato à premiação. É um processo complexo muito rico de comunicações, consultas, conversas significativas, envolvendo muitas pessoas. O premiado e os indicados mas não premiados sabem que seu material está ou esteve sob escrutínio, comparações, avaliações que consolidaram suas idéias ou provocaram discussões especiais, particulares ou não. Tudo isso sempre é significativo para quem dispendeu meses, horas dedicados à produção de seu material: há a sensação real do "eu existo", meus esforços estão sendo considerados, etc. etc.Joston

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