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domingo, novembro 30, 2014

Indústrias no Brasil colônia


Rugendas
 
Sabemos que o Brasil, há tempos atrás, era apenas um grande exportador de matérias primas, tendo passado por alguns ciclos ao longo de sua história econômica. Disso não saiu por uma série de entraves, que só bem tarde foram sendo superados.

Desde que começou a figurar entre os europeus, o que passou a se chamar "Brasil" vem vivendo momentos em que os produtos exportados se sucedem em importância. A começar pelo pau brasil, seguimos com grandes exportações de cana de açúcar, fumo, cachaça, algodão e café (com mais conhecido destaque para esse fruto da rubiácea) - ganhamos também visibilidade com a grande exportação de ouro.

Assim, tomando o que nos diz Roberto Simonsen, um autor muito conhecido entre os historiadores econômicos, em seu História Econômica do Brasil, vemos que "na era colonial, afora os estaleiros navais, que os houve, importantes e produtivos, e os engenhos, rara foi a indústria instalada no país"


Debret
Escravos carpinteiros. Gravura de Jean Baptiste Debret.

Os governantes portugueses proibiam tudo que pudesse significar concorrência. No século XVIII foram os ourives, "para evitar o contrabando do ouro ou a exportação das moedas". Depois foi a vez das indústrias e fábricas do país, proibidas por um decreto de 1785 da rainha D. Maria (a mesma que viria a ser conhecida pela alcunha de A louca). 

Nesse caso das indústrias, a ideia era a de não distrair os braços da lavoura e, assim, também, assegurar uma diferenciação na produção entre a Metrópole Portugal e a Colônia Brasil. O que queriam os governantes portugueses era garantir que seus produtos industriais tivessem mercado por aqui.  


ouro
Barras de ouro do Brasil Colônia

A situação do Brasil só começaria a mudar a partir do século XIX, com a vinda da família real para o Brasil. Ainda assim timidamente, como podemos ver depois com a sobrevivência do sistema monocultor e a predominância dos produtos primários para exportação em relação ao consumo interno. Neste mesmo século e começo do XX o produto da vez viria a ser o café, que aliás teria papel importante na criação de indústrias no Sudeste brasileiro.

  Rugendas
Moenda de cana. Gravura de Johann Moritz Rugendas.
O fato é que, enquanto estivemos dominados pelos portugueses, não houve condições para o desenvolvimento de uma industrialização nacional. Claro que, mesmo "libertos" de Portugal, o entrave viria depois da Inglaterra, embora em outras condições.

E durante todo esse período, nossos índios e negros (sobretudo o segundo grupo) serviram como mão de obra para grandes produções, enquanto os nossos "empresários" se preocupavam com a organização, controle ou em agir como intermediários entre o que era produzido e a venda aos compradores e companhias de comércio.

De qualquer forma, já na segunda metade do século XIX as coisas começariam a mudar. Mudariam inclusive no que diz respeito aos trabalhadores, que começaram a somar os imigrantes, cada vez em maior número, tendo em vista aí o processo de extinção da escravidão, sobretudo a partir da proibição do tráfico negreiro em 1850.


* Originalmente postado em 17 de novembro de 2012.


** Imagem do topo: Moenda de cana. Gravura de Johann Moritz Rugendas.

Referência:

Roberto Simonsen - História Econômica do Brasil. 6 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1969.


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