"Utopia" de Thomas More (resenha) ~ Identidade 85 ::

quinta-feira, maio 08, 2014

"Utopia" de Thomas More (resenha)


Imaginem um mundo onde as pessoas vivem em harmonia, em paz, sem amar o dinheiro ou os títulos de nobreza. Imagine esse mundo, onde não se faz distinção entre ricos e pobres, nobres ou servos, príncipes ou súditos. Se você imaginou esse lugar, não foi o primeiro a fazê-lo. 

Esse mundo certa vez foi imaginado por um cara chamado Thomas More (ou Morus, como do latim) e se chamava Utopia

Numa espécie de relato de diálogo com um indivíduo por nome Rafael Hitlodeu, More descreve o que aprendeu, tentando dizer a "verdade", sem ocultar detalhes dessa ilha que é descrita como se realmente existisse.

O cenário de Utopia é pintado como o mais belo e as pessoas como as mais felizes da terra. Ali não haveria exploração de uns pelos outros, pois o dinheiro e mesmo o ouro não têm importância. Ali o ouro serve quase que apenas como material para grilhões e diademas de escravos. Ah! Em Utopia haviam escravos. Mas, segundo o relato, os mesmo não eram mal tratados e nem serviam como mercadoria. Escravos eram antes prisioneiros de guerra e criminosos, que em alguns casos poderia conseguir a liberdade - especialmente no caso de comprovado bom comportamento. 

Com exceção de alguns poucos que se dedicavam a vida toda às coisas da ciência, em Utopia quase todos trabalhavam no campo e o que produziam eram repartido de forma rigorosamente igual. Se a umas cidades faltasse algo, as outras as supririam sem lhes cobrar por isso, afinal não fazem comércio entre eles. Comércio só fazem com os reinos vizinhos, ainda assim apenas com o fim de conseguirem recursos para se defenderem em tempos de guerra. Guerras que, aliás, é algo  indesejável, segundo Hitlodeu, sendo antes preferível a resolução pacífica.

Se procurarmos entender a Utopia, veremos nela muitos dos nossos anseios, sendo boa parte deles inalcançados (não necessariamente inalcançáveis) ao longo da vida. Em algum momento de nossas vidas nos pegamos imaginando um mundo justo, onde todas as pessoas são felizes. Com algumas coisas que tenho visto nos últimos dias, me lembro da música Índios, da banda Legião Urbana, que em uma de suas estrofes diz "quem dera ao menos uma vez, com a mais bela tribo, dos mais belos índios, não ser atacado por ser inocente". 

Como diz, por fim, Thomas More, os utopianos não atacam para ter riquezas, antes eles as juntam para se defender em tempos de ameaça. Mas e os que não tem riquezas e nem poder para se defender, o que lhes resta? Que alguém lhes leve embora até o que não têm?


Ilustração mostrando a ilha imaginária de Utopia

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* Imagem do topo: Thomas More
** publicado originalmente em 24 de out de 2012.

2 comentários:

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