Sobre a escravidão no Brasil ~ Identidade 85 ::

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Sobre a escravidão no Brasil

Escravo de origem iorubá (grupo étnico da África Ocidental), 
com escoriações características. 
Foto de 1885, Coleção Tempostal, Salvador.

Quero "estrear" no blog um espaço dedicado à licenciatura escolar, incluindo temas, planos e atividades de Ensino Fundamental e Médio. Minha ideia é separar os conteúdos que for trabalhando nas escolas e compartilhá-los com vocês, especialmente quando os mesmos surtirem bons resultados, mas também compartilhando com vocês minhas inquietações e dificuldades. 

Aceito, como sempre, críticas e sugestões. 

O tema desta primeira postagem é Escravidão no Brasil, que estarei trabalhando em uma turma de 8° Ano (ou 7ª Série, conforme algumas escolas), embora em alguns lugares a grade curricular inclua esse tema em outros anos/séries. Sobre isso, gostaria de falar com vocês brevemente sobre algumas informações que passam batido quando nós professores falamos em sala de aula sobre escravidão negra no Brasil. Seguem algumas delas.

Os negros eram conhecidos pelos nomes dos portos ou regiões africanos de onde vinham e não por suas etnias. Por exemplo, se fosse embarcado no porto de Benguela, se diria: "ah, fulano de tal é Benguela".

Além disso, eram batizados com novos nomes ocidentais, perdendo seus nomes originais, havendo assim ao longo de nossa história muitos Joãos, Marias, Fortunatas e Sebastiões.  

Um pouco mais polêmicos são os casos de alguns personagens lembrados constantemente quando se estuda o tema, como, por exemplo, Zumbi e Chica da Silva. A maioria dos livros didáticos que conheço esconde o fato de que essas duas pessoas, além de outras, conforme muitos pesquisadores, também tinham escravos. Não que devamos aqui denegrir suas imagens ou que seja missão do professor desconstruir esses heróis (o dia da morte de Zumbi, 20 de novembro, foi estabelecido como nosso Dia da Consciência Negra), mas acho que seria mais construtivo se abríssemos o jogo com os nossos alunos e abordássemos a questão com essas informações, que para muitos (inclusive para alguns professores) é nova.

Outro ponto polêmico é que a escravidão não é uma invenção ocidental, ela já era praticada entre os reinos e cidades africanos, inclusive entre aqueles convertidos ao Islamismo - assumindo claro formas diferentes ao longo da história. No caso africano já havia sim o comércio de escravos antes do contato com os europeus, se bem que em muitos reinos que assumiram o Islamismo como religião oficial houvesse espaço para os escravos em funções públicas e outros cargos burocráticos. 

Sobre esses e outros aspectos da história afrodescendente brasileira e mundial podemos chamar a atenção ainda para outra questão que não é tradicionalmente abordada nas escolas: a das religiões e religiosidades originárias de várias etnias e reinos africanos. Neste caso, já está claro que na história que muitos de nós aprendemos há uma sobreposição das religiões dos povos "dominantes", sobretudo o Cristianismo e também, como mencionei antes, o Islamismo.

Por último, como dica de leitura quero deixar um livro que eu conheço, A escravidão na África de Paul Lovejoy.



Mercado de escravos no Yemen (1236-1237), Manuscrito árabe. 
Disponível no blog oridesmjr.blogspot.com.br

3 comentários:

  1. Interessante informação.Os escravos deram enorme parcela contribuinte para o desenvolvimento do Brasil.Merecem nosso respeito e consideração,apesar do sofrimento imposto a eles por conta da escravatura.Detalhes sobre a história deles,como esta aqui do blog,são de fato novidades para alguns.

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  2. Obrigado pelo comentário Samuel... como disse, a ideia não é ofender, mas tentar ser um pouco mais realista com a questão. Abraço

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  3. Comentários dessa postagem também no Linkedin, cliquem aqui.

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