Um mundo de mulheres: onde o frágil fosse forte ~ Identidade 85 ::

quinta-feira, março 26, 2015

Um mundo de mulheres: onde o frágil fosse forte



Já pararam para pensar se o curso da história humana tivesse sido traçado pela supremacia das mulheres e não dos homens, como seria?

Desde o que chamamos erroneamente de pré-história, quando começaram a se formar as comunidades, depois transformadas em cidades e enfim civilizações, que comportaram alguns grandes impérios ao longo da existência humana, o homem vem garantindo seu posto como ser superior, legitimando seu mando (com redundância e tudo), apoiado na ideia de que é mais forte, em detrimento das mais fracas criaturas humanas de deus (seja de que religião for): as mulheres.

Basta uma vista no que se sabe sobre as primeiras aldeias, onde mulheres cuidavam de crianças e colhiam alimentos, enquanto os homens caçavam*. 

Se bem que algumas vezes as mulheres subverteram essa ordem, pelo menos em parte, como no caso de Cleópatra no Egito, ou das rainhas da Inglaterra (Elizabeth I, Vitória e a ainda soberana Elizabeth II) ou ainda de Catarina, a Grande, da Rússia. Mas, mesmo aí, a Vitória por exemplo, fazia questão de mostrar sua condição de mãe, de parte auxiliadora de uma grande família.

Mas e se a ordem fosse invertida de verdade? Se as mulheres tivessem supremacia sobre os homens? As feministas logo pensariam comigo... 

... pois fico então imaginando machos sendo puxados pelos cabelos, como nas caricaturas dos hominídeos pré-históricos, por fêmeas carregando seus pesados bastões. Essas mesmas fêmeas se poriam a luta com feras imensas, do tipo de Tigres Dente de Sabre ou de Mamutes, tudo em nome da sobrevivência.

Veríamos ainda na mitologia grega Hera dominando definitivamente Zeus, fazendo com um mortal algo como uma Herculina. Em tantas outras mitologias e religiões a mulher não seria subalterna, mas mandatária.

Mas avancemos um pouco no tempo. 

Que coisa seria ver uma mulher a achar o Novo Mundo, vislumbrando índios nus nas costas do mar, depois de meses viajando por "mares nunca dantes navegados", em naus só com mulheres à bordo. Será que veríamos essas mesmas mulheres a cruzar com nativos, num transe a produzir mestiços? Da mesma maneira, quando negros aqui aportassem, veríamos abusos por parte de capitãs do mato, coronelas, administradoras, todas a usar do material humano para fins sexuais?**

Depois de séculos de idas e vindas na história, após um certo atentado em Sarajevo veríamos então milhares de mulheres a caminhar em formação militar, rumo à Grande Guerra. Dela sairiam as alemãs ressentidas, as austro-húngaras separadas e as russas revolucionárias! As americanas, ah, essas se veriam como semi-deusas que resolveram a parada, enquanto suas amigas Inglaterra e França quase padeceram! 

Para uma nova guerra seria só uma questão de tempo, até que mulheres portando suásticas tomassem o controle da Alemanha; à elas seriam somadas as italianas fascistas, que também queriam um lugar ao sol no domínio global. As japonesas se ofereceriam, muitas das quais se mostrariam fieis camicazes a se sacrificar pela imperatriz. As americanas lançariam mão de seus homens para o trabalho nas fábricas e muitas os deixariam depois na trágica situação de viúvos das milhares de soldadas mortas. 

Terminada a fase de guerra mundial, veríamos uma "mulher de aço" a se destacar na Rússia pelo que fez nas décadas anteriores. Nem tanto pela ajuda que deu às Aliadas na Segunda Guerra, mas ainda mais pela crueldade como tratou suas parceiras de luta, aquelas que acreditaram num país de vigorosas comunistas a dar exemplo ao resto do mundo. Essa mesma senhora se engalfinharia com a presidenta dos States para ver quem mandava mais no mundo, dividindo-o em blocos antagônicos que só acabariam, ao menos oficialmente, quando o Muro de Berlim fosse derrubado (1989) e a União Soviética deixasse de existir (1991). Nesse meio tempo a mulher chegaria à lua, não esqueçamos.

O Brasil bem que poderia ter uma presidenta há bem mais tempo, sem ter que esperar até 2010 por isso. Quem sabe não teríamos algo como a Era Gertrudes, a dominar o país por períodos provisórios, passados à ditadura e depois se elegendo como "mãe dos pobres"! Se isso acontecesse, talvez deixássemos de ser conhecidos como "pátria" e passaríamos a ser vistos carinhosamente como "mátria mãe gentil", afinal, em seu seio é que tiramos a liberdade.



Claro que algumas etnias, a exemplo do Brasil de hoje ainda, comportam tipos matrilineares, mas o foco no momento é outro.

** Não quero que este artigo pareça vulgar, mas nossos antepassados (nem todos claro), viveram vulgarmente, devemos reconhecer. Da mesma forma, entenda-no apenas como uma provocação à reflexão, afinal, sabemos que a história foi o inverso desse universo.

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2 comentários:

  1. Olá, Professor José! Bom dia! Parabéns pelo seu texto. Tenho assim também pregado A lógica feminina (da cooperação ou da criatividade), penso ser mais eficiente do que a lógica masculina (a da competição). Percebo que as mulheres já recuperam um bom espaço. Ainda assim, penso, faz-se necessário que construam ou desenvolvam a própria lógica, porque enquanto adorarem a lógica masculina, serão mulheres agindo com o esquema mental masculino, o qual já provou não ser o melhor. Tenha um ótimo dia!

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  2. Creio que devemo provocar, e nos encontrar em meio a tudo isso. A sociedade precisa cultivar duas palavras IGUALDADE e TOLERÂNCIA. Se chegarmos perto disso, creio que já fugiremos dos gêneros dominantes.

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