Zé Butina e a história do caipirês ~ Identidade 85 ::
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domingo, janeiro 03, 2016

Zé Butina e a história do caipirês



Ao longo de séculos, jeitos característicos de se expressar foram se desenvolvendo em certas regiões do Brasil, nesta postagem o interior paulista. É aí que o Jeca surgiu como figura emblemática, personagem famoso de Monteiro Lobato e depois filme de Mazzaropi, permanecendo nas expressões e sotaques.

Nós sémo o Jeca dessa história, que o moço escritô ajuda contá, na verdade us cumpadi me chama pelo nome Zé Butina, por causa dos sapato que nóis usa...

Nóis nacemo numa véia cidade de nome Novo Horizonte, faiz muitos ano, que nóis não sabemo porque mamãe não fez o registo. Mas, o que nóis qué mostrá é que nesse nosso mundo, as frase e palavra tem suas cara própia e aparece desde muitos tempo. Por isso vortemo nos ano pra falá como as coisa acontecero...  

Em otras palavra, nóis tinha desde os tempo antigo gente que contava seus causo. No sítio as conversa tinha na fugueira, já na vila, as praça e espaço público reunia os cumpadre pra fumá paiero e pra prosiá. Ali a gente contava das viage pro sertão, das moça bunita que encontrava e dos bicho e lobisomes, que era tão medonho que ispantava até os mais valente. Tudo os mantimento era levado nos lombo dos animár, não tinha carro; o negócio era nus lombo dos bicho mémo.

Nesse mundão não havia muita escola e as perfessora, mémo seno pôca, era mais numerosa que os homi letrado. Como não tinha tempo pra estudá, o jeito era trabaiá. Afinar, quem ia ponhá comida na mesa, seu baguá? Os véio tinha muitos fio, mas tudo eles era empregado dus pai. Não tinha moleza prus pobre e a diversão era quando ia pra cidade nos fim de semana passiá, comê pipoca e mais uma veiz papiá.

Mas o tempo foi passano...

Em muitos lugar, as vila foi cresceno, os patrão se mudano; os pião tendo cada mais contato com o mundo moderno, si bem que não tivesse dinhero pras modernidade. Mas se não tinha tudo as modernidade, foi seno obrigado a ponhá os fio na escola, que aparecia cada vez em mais lugar.

E os fiô foru aprendeno coisas nova, ficando cada mais inteligente. Só que isso também feiz eles egigí que os pai falasse dereito e aí que a vida dos caipira tiveru que í mudano pra acompanhá.

Assim que nóis foi aprendendo a falá...

A linguagem dos pais tinha que se modernizar, pelo menos era os muleque pensava. Era triste a mudança, mas muita gente foi morar nas cidades e deixou pra trais a roça e os animal. Muitos lugar que antes era rua de terra, passou a ser alfaltado e muitos sítios viraram casas bonita, sem poera e sem animar (opa! Animal).

O velho Jeca agora era velho, como nóis que agora via os filhos falar direito (pelo menos era o que nóis pensava). Dos filhos nascero os neto e esses já não entendia tudo que nóis os velho falava.

Mas no interior de São Paulo, pelo menos onde nóis moramo, muita gente achou e ainda acha normal falar sem com a gramática (que palavra bunita!) se preocupar. Não tô chamano o povo de burro, só mostrando uma coisa que é própria de muitas cidades daqui do interior; coisa que nóis apesar de aprender a falar melhor, não abandamos de tudo. Não tem rico ou pobre, muitos fala de maneira por vez parecida, com exceção dos povo de Piracicaba, longe daqui, que ainda usa os R mais forte que nóis.

No fim, pelo menos parece que a cidade grande não foi capaz de tirar o interior e o sertão completamente dos otro, pelo menos de tudo e o Jeca ainda aparece com frequência para mostrar suas frases, maneiras e palavras que tem tradição. Nóis não tem mais carroça, não tem mais de lenha o fogão, não tem mais animal, mas nóis ainda sente falta dos tempo do sertão.

José A. Fernandes

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