História e Cultura Afro-brasileira nas Escolas ~ Identidade 85 ::
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quinta-feira, novembro 29, 2007

História e Cultura Afro-brasileira nas Escolas


Imagem retirada de cadernodia.wordpress.com


Matias Belido dos Santos (*)

Nos últimos anos o Brasil vem tendo um aumento significativo dos espaços destinados a temas que tratam sobre História Indígena e Cultura Afro-brasileira, principalmente, nos veículos de comunicação eletrônica.
É de conhecimento geral que a Lei nº 10.639/2003, torna obrigatório nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares o ensino sobre a história e cultura afro-brasileira. Tão logo essa lei foi oficializada os métodos de aplicabilidade começaram serem discutidos em larga escala em certos círculos intelectuais onde muitos críticos supuseram não haver possibilidades metodológicas de aplicação da referida lei em sala de aula. Por outro lado, datas comemorativas como, o dia da consciência negra (20 de novembro), servem de estímulos para debates, oficinas e palestras em encontros sobre o tema.

Mas poderia nos surgir uma pergunta: como tratar o tema em sala de aula?


Sabe-se que o Brasil atual é resultante do encontro várias culturas, uma espécie de mosaico cultural. É por isso que conhecer o Brasil equivale a conhecer a história e a cultura de diferentes culturas. Nesse sentido, não temos melhor caminho para entender a história social e cultural deste País, a não ser começar pelo estudo de suas matrizes culturais, tais como: indígena, européia, africana, enfim, enfatizando a heterogeneidade do espaço e sociedades que aqui viveram e ainda vivem.


Porém, não é isso que acontece na história do Brasil, até hoje ensinada através da historiografia oficial. Na maioria dos livros e materiais didáticos que conhecemos, as contribuições dos africanos e seus descendentes brasileiros são geralmente ausentes e quando presentes são mostrados de um ponto de vista estereotipado e preconceituoso, o que ocorre também com a história indígena.


Para o enfoque da história do negro, 
da África bem como suas dinâmicas culturais e sociais, sugiro que, na época de informatização em que vivemos, sejam apresentados através do uso da imagem. Aliás, somente para citar, a imagem foi e continua sendo largamente utilizada para encobrir a história de muitos povos. Mas a proposta é outra.

É fato que a imagem pode colaborar na rememoração da história dessas populações, como na re-construção da identidade afro-descendente e na apreensão do conhecimento da territorialidade e a história do negro no Brasil.


Ainda vale dizer, que não estou aqui como alguém que queira ensinar, muito menos estou a fazer críticas aos colegas ou ao governo. Não é isso. Evidentemente, que existem outros pontos de vista, compreender melhor a utilização das novas tecnologias da educação, sobretudo para a elaboração de aulas de história, tem sido uma ideia bem aceita entre os pesquisadores e professores em geral, sobretudo de gerações mais novas.


A utilização e popularização da internet entre os alunos, principalmente, de escolas públicas tem sido um bom caminho para incentivar a utilização de outros recursos na realização de pesquisas.


Mas, por outro lado, devemos entender que o trabalho copiado da internet não foi produzido pelo aluno, e que pouco o ajudará a desenvolver seu pensamento crítico a respeito da realidade vivida socialmente, isso sim, deve ficar claro. Os trabalhos devem ser produzidos com auxílio da internet, e não copiado literalmente como se tem percebido em muitos casos, o que se torna plágio intelectual, que não ajuda a melhorar a escrita, nem a leitura. 


O trabalho utilizado corretamente com as mídias e outros meios tecnológicos como fontes alternativas, pode permitir que o aluno perceba que existe uma infinidade de informações oferecidas e que podem resultar em melhor aprendizagem. Pode também resultar em material didático alternativo para ser usado em sala de aula pelo professor. A falta de planejamento e estruturação tem ofuscado um pouco a realização desse trabalho, mas é possível perceber alguns feitos nessa direção.

Mesmo assim, não seria possível realizar pesquisas nobres sobre o tema sem dialogar com as várias áreas do saber, isto é, as pesquisas podem ser feitas de maneira interdisciplinar em livros, textos e quando possível na Internet, com ênfase em várias disciplinas que se complementam. O fim dessa pesquisa pode resultar na materialização de um rico material didático de fácil interpretação e compreensão do tema em estudo. O material pode ser também montado no PowerPoint e gravado em CD-RW (disco regravável) ou pendrive, contendo texto, ilustração, animação e músicas, por exemplo, para ser apresentado na aula.


Além disso, a escolha e sistematização do material podem possibilitar a montagem de um CD ou pasta de arquivos, em forma de slide tornando-se material didático alternativo, que pode ficar disponível para a escola que deverá necessitar de trabalhos semelhantes.


Finalmente, cabe registrar que não quero ser mal entendido com este artigo, sei que nos faltam muitos recursos, e que pouco ou quase nada tem sido feito por parte do governo para atenuar essa triste realidade. Mas, por outro lado sei que dispomos de recursos humanos infinitivamente superior.
Agora é a nossa vez...


(*) Mestre em História pela Faculdade de Ciências Humandas (FCH) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). E-mail: mbelidosantos@ibest.com.com

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