A saga de um paciente com dengue em Dourados-MS ~ Identidade 85 ::
Booking.com

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A saga de um paciente com dengue em Dourados-MS



Dourados, a cidade mais desenvolvida de Mato Grosso do Sul, depois de Campo Grande. Ouvi muito isso esse tempo todo que tenho morado no estado (5 anos), desde quando ainda era mais um universitário pegando ônibus todos os dias em Maracaju para poder estudar na cidade do progresso. Todos os olhos vem focando essa cidade que possui duas universidades públicas e mais algumas particulares.

Mas nem tudo é alegria na Terra de Antonio João. Nem tudo mesmo! Ainda mais quando o assunto é saúde.

Nos últimos dias eu fui picado pelo velho e mal mosquito da dengue. Numa terça, achei que o cansaço e a dor de cabeça fossem mais um resultado do forte calor que vem acometendo nosso aquecido planeta, mas a coisa era outra e a dengue me pegou. O pior ainda estava por vir e no outro dia saímos, Camila e eu, em nossa saga em busca socorro desejado.

Foi aí que percebemos as quantas anda a saúde em Mato Grosso do Sul.

A primeira parada, quer dizer, o primeiro destino, ou seria o primeiro ponto da baldeação (nem sei mais), em busca da solução para meu problema foi o Hospital Universitário (HU), Referência no atendimento de pacientes com dengue. Eram 19:30 quando pegamos o ônibus. O que não sabíamos era que o mesmo era um estabelecimento de portas fechadas, só reservado a internações. Quão desolados ficamos ao saber disso, mas lá estavamos, a noite, e tendo que esperar um novo ônibus para tentar nova solução.

A nossa sorte do dia foi que conseguimos falar com amigos por telefone, santos amigos, Carlos, Roseline e Thiago, que se juntaram a nós em nossa saga, de Johny (o fusca amarelo da Roseline), partindo rumo ao novo destino, o Hospital do Trauma (ex-Hospital da Mulher, Hospital da Vida e sei lá o que mais). Fora indicado pela atendente do Hospital Universitário. Mas ao chegar no mesmo mais uma "boa" notícia, o mesmo também não atendia pacientes com dengue! Teríamos que nos dirigir ao PAM (Pronto Atendimento Médico) se quisessemos ser atendidos. O problema é que ele fica do outro lado da cidade, o que para uma pessoa desavisada, e sem meio de se locomover seria extremamente uma penúria.

Mas, estavamos amparados, e lá fomos. A nossa saga não terminaria por aí. Ao chegarmos tivemos que esperar pelo atendimento, o que não é nenhuma novidade para quem usa os sistemas de saúde no Brasil. Após ser atendido, começou então minha outra saga, a de ser finalmente atendido pelo médico. Foi atendente pra cá, enfermeiros fazendo triagem pra lá, assistente de médico pra outro lado, até finalmente, queimando de calor em uma sala mal ventilada, ser atendido pelo médico. O pior é que o que ocorreu comigo, ocorre com todos naquele lugar (e acontece todo dia). A médico, com boas intenções até me mandou com Deus embora pedindo repouso e receitando Dipirona e Paracetamol. Ah! E haveria um exame de sangue... sete dias depois! Quando eu já estivesse saudável. Dá pra acreditar?

Talvez eu esteja cansativo com meu texto, talvez seja injusto com todos os enfermeiros e médicos bem intencionados. Mas me dói, pra não dizer que me dá raiva, de saber que as coisas vão mal na saúde do brasileiro, que pessoas estão morrendo ou penando pelas demoras no atendimento, e outras pessoas ficam sentadas em suas poltronas confortáveis, tomando uísque importado, comendo coisas com as quais o dinheiro daria para alimentar pelo menos dez pessoas ao mesmo tempo, concentrando riquezas, enfiando dinheiro na cueca, subornando, chefiando quadrilhas. E tem gente que ainda tem coragem de pedir voto!

Mas enquanto a coisa não muda siga os conselhos do governo sobre a prevenção e pelo amor de Deus não pegue dengue!

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Digite e tecle Enter para buscar!