História Econômica, o que seria? ~ Identidade 85 ::

sábado, julho 19, 2014

História Econômica, o que seria?



Em diversas das minhas postagens vocês devem ter percebido que deixo "escapar" elementos de História Econômica. Acontece que muitos que não são historiadores de formação vão se perguntar que diabos é isso? 

Sem querer ser muito técnico, posso dizer que a História Econômica é a abordagem da História que estuda as diversas formas de troca entre os seres humanos, monetárias ou não, suas relações de mercado, comércio, além das relações de trabalho e diversas formas de interações econômicas.  

Bom, antes que alguns se manifestem e aleguem uma certa monotonia deste tipo de História, tenho que deixar claro que a minha forma de abordagem, que muitos outros também praticam, vem dando espaço para métodos e fontes que não teriam espaço na história econômica tradicional. Eu procuro não limitar minha visão e uso algumas técnicas que as vezes geram estranheza nesta área, como o uso da imaginação, que serve justamente para imaginar possibilidades e explicações que as fontes por vezes não nos dão completamente (explicarei melhor sobre a imaginação em outra postagem), e as técnicas da História Oral, que fiz uso nas pesquisas do Mestrado, como já notaram em algumas postagens anteriores.

É difícil resumir em uma texto como este o que seja História Econômica, afinal, isso sempre foi e é um assunto para muitos estudos sobre métodos de pesquisa e que é bem mais complexo quando o adentramos. Durante muito tempo a História Econômica foi predominante em muitos programas de pesquisa e revistas especializadas, mas tem perdido muito espaço nos últimos 30 ou 40 anos, especialmente para a abordagem cultural da História. 

De qualquer forma, posso ainda dizer que a História Econômica que eu estudo é aquela que muitos pesquisadores (historiadores e economista) praticam, que presta atenção nos aspectos e tramas econômicos da sociedade e que, tentando sempre não limitar a visão sobre a história, dá atenção aos aspectos da vida cultural, da vida política e social nos espaços e contextos. 

Eu tenho aprendido muito com renomados historiadores e estudiosos do Brasil colonial e contemporâneo, como Celso Furtado, Caio Prado Jr. e Sérgio Buarque de Holanda. Venho estudando ainda historiadores gringos, econômicos ou não, como Marc Bloch, Ernest Labrousse, E. P. Thompson e Eric Hobsbawm, além de outros tantos nomes conhecidos e outros nem tanto. Sem mencionar, embora tão importantes quanto, os muitos pesquisadores de temas sociais e políticos, como José de Souza Martins, Temístocles Linhares e Virgílio Corrêa Filho. 

Claro que não é fácil "encaixar" muitos dos conceitos e fórmulas dessas pessoas nos meus textos, afinal, nem sempre suas ideias fazem ou parecem fazer sentido nos temas que escolho, mas servem sim para que eu possa encontrar semelhanças e mesmo elementos para comparação. Em último caso, servem também para a reflexão, mesmo que indireta da História, essa "ciência" tão particular e múltipla que não pode ser limitada a apenas uma forma de abordagem. 

Por fim, é como diz o professor e amigo Paulo Cimó, "no final, o que devemos saber é que o que estudamos é HISTÓRIA e ponto".


O cambista e sua esposa, 
de Marinus Claeszon Van Reymerswaele, 1539



* Imagem no topo do site A tela da reflexão.
** Texto originalmente postado em 8/dez/2012.


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