Primeira Guerra - 100 anos! (FINAL): a guerra que não termina ~ Identidade 85 ::

domingo, junho 29, 2014

Primeira Guerra - 100 anos! (FINAL): a guerra que não termina




Estamos finalmente encerrando a série sobre os 100 anos da Primeira Guerra Mundial e o que podemos dizer a princípio é que os saldos dela foram monstruosos. Mas será que houve algo de positivo em tudo o que aconteceu? Será que aprenderam a lição? É o que tentaremos descobrir nesta postagem.

Os números da Guerra assustam a quem para para observá-los. Foram cerca de 9 milhões de mortos e 20 milhões de feridos - o número de mortos é aproximado porque, como digo aos meus alunos, ninguém contou as partes separadas dos corpos que foram destruídos em ação. A Alemanha é o país que mais perdeu homens: quase 2 milhões de mortos, enquanto os Estados Unidos foram os que menos perderam (116 mil mortos) - claro que isso tendo em vista a sua entrada tardia, apenas em 1917. 

Para nos ajudar a entender a situação, vejamos uma lista** de quantos homens participaram e o número de mortos entre os principais países envolvidos:

Grã-Bretanha: 9.500.000 homens (1 milhão de mortos);
França: 8.200.000 homens (1,5 milhão de mortos);
Rússia: 13.000.000 homens (1,7 milhão de mortos);
Itália: 5.600.000 homens (533 mil mortos);
Estados Unidos: 3.800.000 homens (116 mil mortos);
Alemanha: 13.250.000 homens (1,95 milhão de mortos);
Áustria-Hungria: 9.000.000 homens (1,05 milhão de mortos);
Império Otomano: 2.850.000 homens (325 mil mortos);

Claro que os números acima não incluem as perdas dos chamados “exércitos coloniais”: forças convocadas dos países dominados pelo Imperialismo. Há um cálculo de que pelo menos 2,5 milhões de africanos e 1 milhão de indianos participaram de alguma forma da Guerra. E nessa sua participação, houve um vislumbre de liberdade, com promessas não cumpridas, mas que levam a uma maior mobilização, que em muitos casos serão completadas com o desenrolar da Segunda Guerra

Claro, também, que a Primeira Guerra não deixou apenas um rastro de mortes, mas um incalculável contingente de feridos e mutilados -  foram cerca de 20 milhões. Pessoas que tiveram que aprender a viver sem membros, com rostos desfigurados (ou quase sem eles) ou com traumas psicológicos, por vezes, irreparáveis. Os Estados Unidos, por exemplo, além das 116 mil mortes, teve um número aproximado de 204 mil feridos. Já para os franceses o número é de 2 milhões de feridos.



O pôster acima, produzido em 1919, pouco depois da Primeira Guerra, é de uma exposição do Instituto da Cruz Vermelha para Homens Incapacitados e Inválidos dos EUA e do Instituto da Cruz Vermelha para Cegos. Após a guerra, a Cruz Vermelha, junto com outras organizações privadas, ajudou veteranos incapacitados fornecendo terapia ocupacional, ensinando-lhes novas habilidades e fornecendo assistência às famílias dependentes de veteranos hospitalizados. As ilustrações aqui apresentadas mostram uma cena em que homens incapacitados aprendem a soldar, e outra em que um homem com um braço parcialmente amputado opera um maçarico para soldagem. Lê-se nas legendas “Homens incapacitados aprendem soldagem por oxiacetileno no Instituto da Cruz Vermelha para Homens Incapacitados e Inválidos na cidade de Nova York” e “Seu braço bom permite que ele use o maçarico tão bem quanto os trabalhadores que dispõem de ambos os braços”



Já na imagem acima podemos ver a loja dos "narizes de lata", de Anna Coleman Ladd, na Londres do pós-Guerra. Uma loja de mascaras, onde se pode imaginar a demanda por seus serviços pelas “faces” penduradas.



Um outro importante resultado da Guerra, geograficamente falando, é a reconfiguração a que passou a Europa. No mapa acima, feito por volta de 1920, pela editora britânica G.W. Bacon & Co., Ltd. podemos ver a Europa pós Primeira Guerra Mundial. Entre as mudanças políticas e territoriais estavam a dissolução dos impérios Austro-Húngaro e Otomano, a derrota do governo czarista na Rússia, o estabelecimento ou o re-estabelecimento de Estados independentes da Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia, a cessão da Alsácia-Lorena da Alemanha para a França, e a expansão do território italiano a fim de incluir a região em torno de Trieste. O pequeno mapa inserido no canto superior direito mostra as densidades populacionais, que vão desde o muito pouco povoado norte da Escandinávia até as densamente povoadas regiões da Alemanha ocidental, os Países Baixos e o sul da Inglaterra. O mapa apresenta uma população total na Europa de 475 milhões de pessoas.

Sobre a situação da Rússia, vemos a ocorrência da Revolução de Outubro, já em 1917, que trouxe esperança para alguns e ameaçou outros. Trabalhadores russos se sentiram diante da possibilidade de construir uma sociedade nova e diferente da exploração de classes, que compunha o outro lado, o dos capitalistas, que viam seu sistema passar por um momento de incerteza e crise. E se as décadas seguintes viriam mostrar as fragilidades (ou diríamos exageros) dessa nova sociedade, que se concentrou politicamente quando devia ser um governo comum, tendo Stalin como seu ditador e o uso do terror para controle do Estado, por outro lado, não podemos ser inocentes, devendo avaliar, ao menos em parte, desapaixonadamente o que se passou. De qualquer forma, fica para uma próxima postagem esse assunto extremamente específico e polêmico.

Mas voltando aos resultados da Grande Guerra, para encerrar, o que temos em novembro de 1918, é que o que parecia ser uma lição para a humanidade, para que não houvesse outra guerra como essa, não se concretizou. O Tratado assinado, o de Versalhes, bem ao interesse dos franceses, não agradou os alemães (e nem poderia); a Liga das Nações, ancestral letárgica da ONU, não deu conta do recado; as velhas rivalidades se mantiveram, com algumas alterações e novos personagens, deixando espaço nas décadas que se seguiram de trégua para o cultivo de ideias ainda mais nocivas e destrutivas, como serão o Nazismo e o Fascismo, sobretudo a partir da década de 1930, quando se começará a vislumbrar no horizonte (embora não como fosse como um vidente a prever o futuro) os sinais da Segunda Guerra Mundial.


Veja as outras partes:



Fontes:

* Imagens, incluindo a do topo mostrando uma menina ladeada por rifles, extraídas dos sites:

  • http://www.nadacerto.com.br/10-imagens-impressionantes-da-primeira-guerra-mundial/
  • http://www.nadacerto.com.br/30-fascinantes-fotografias-em-cores-da-primeira-guerra-mundial/
  • http://www.wdl.org/pt/
** BBC: A guerra para acabar com todas as guerras (em inglês)
*** First World War (multimídia em inglês): http://www.firstworldwar.com/




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