Há quantos invernos eu vi a luz... ~ Identidade 85 ::

sábado, julho 04, 2015

Há quantos invernos eu vi a luz...




Hoje quero falar de mim, se não se importam. Sei que isso é chato para muitos, mas...

Sei que naquele 4 de julho de 1985 eram 3 da manhã, de uma quinta-feira. Foi aí, num hospital de Catanduva, interior de São Paulo, que minha mãe se deparou com um pequeno menino raquítico (é eu já era menino...rs), de braços e pernas finas, no caso, eu mesmo. Mas pulemos essa parte e deixemos a minha biografia para algum futuro interessado, que ganhará alguns milhões com best-seller (rs)...

Se posso inserir minha biografia na história, não será para constatar só coisas boas. O Brasil naquele ano batia recorde de mortalidade infantil, essa é a parte ruim: mais de 300 mil crianças de até um ano morriam de fome nos anos 1980 - cerca de mil diariamente*. Mas tendo eu sobrevivido, adivinhem, essa é a parte boa.

Naquele mesmo ano, antes que minha mãe visse a minha face, o Brasil esperava seu primeiro presidente pós-Ditadura, Tancredo Neves. Mas ele morreu antes de assumir, em 21 de abril e quem assumiu, já sabemos, meu querido xará e "imorrível", o Zé Sarney.

Mas, eu superei as estatísticas, sobrevivi à inflação galopante daquela década, graças a cavaleira de Jedi da minha mãe. Comi o que tinha, mas pelo menos tinha. Não comecem a chorar por isso...

Na década de 1990, houve muitas mudanças na minha vida e mudamos bastante também. Foi a década em que compramos TV, parabólica e outras modernidades (não tão modernas) e que me faziam sentir muito bem, obrigado. Ainda lembro de ver o São Paulo FC, que naquela época jogava de uniforme preto e branco ;)

Mas pelo menos deu tempo de ver o Brasil nas amarelas cor de gema ganhar, ou quase isso, da Itália na final de 1994 - só não me lembro do "É Tetra" do Galvão, mas acho que não é nenhum problema (rs).  

Nos 90 também deu tempo de curtir Michael Jackson e finalmente conhecer Elvis. Esse último ninguém que me conhece desconfia que se tornou presente constante, né!?

Nesse momento eu já fazia planos, sem saber que para alcançá-los teria que mudar tanto de cidade. Já disse para os amigos que me sinto como um cigano, o que não é uma coisa ruim pra mim, afinal, já conheci três estados e mais de 12 cidades desde aquela década.

Mas, virada na minha vida mesmo viria nos anos 2000, a "nova era" que tanto assustou muita gente, inclusive eu que acreditava no fim do mundo. Foi nessa década que resolvi que ia sair de casa - algo impensável para quem era o favorito da mãe - e ir para um estado que muitos falavam que era habitado por índios assassinos e jacarés transeuntes. É eu fui morar em Mato Grosso do Sul (não no Mato Grosso!).

Foi ali que passei apuros (não por causa dos índios e dos jacarés), que tive momentos em que pensei em voltar para o interior de São Paulo, mas... aguentei. Afinal, quem não tem nada a perder, porque não se preocupar em tentar ganhar. E ganhei a primeira ao passar em História no vestibular da Federal da Grande Dourados, que estava se desligando da UFMS naquele mesmo momento.

Sendo graduando fiz viagens interessantes, conheci muita gente bacana e vive momentos que não troco por nenhum pacote de bala Chita!

Novos picos de idas e vindas, mas as idas foram maiores e aos poucos fui superando as dificuldades e atingindo objetivos que havia traçado. Nesse caminho contei com bolsa do governo, com trabalhos que fazia para amigos (que alguns chamariam de "anjos"), correrias quase interminável, mas... não comecem a chorar de novo (rs).

Dispensa legenda.

... em 2009 terminei. Em 2010 já tava mestrando, olha só! Daí lá estava eu, pensando no futuro, como sempre, e mais uma vez usando o "dinheiro do governo" para alcançar novos objetivos. 

Nesse meio tempo mudei de cidade de novo e finalmente de estado. Disse good bye ao MS e hello aos catarinos e catarinas... começava mais uma fase que ainda está no caminho, que agora inclui um Doutorado em andamento. Vale dizer que nesse caminho tive a companhia de uma grande amiga, Camila Belo, que foi camarada demais e não poderia ficar fora dessas memórias.

O resto eu deixo pra depois, afinal, já deve ter gente pensando "por que patavinas eu comecei a ler isso???"...

Da série: 
"Mamãe, olha como sou lindo!"

* Livro História do Brasil, de Nelson Piletti.

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